quinta-feira, 15 de março de 2012

Rio+20: biodiversidade e mudanças climáticas

A agricultura camponesa alimenta 70% da população mundial. É o que garante Pat Mooney, diretor da ONG canadense ETC Group. A declaração está em ótima reportagem de Raquel Júnia para o site da Fiocruz.

Um dos aspectos destacados pelo canadense é a importância da biodiversidade. Segundo Mooney:
O sistema de agricultura industrial trabalha com, no máximo, 150 variedades de alimentos. No entanto, o foco principal deles está em 12 variedades. Eles alegam que se puderem fazer uma engenharia dessas 12 variedades, resolvem a questão da alimentação. Enquanto isso, a rede mundial de agricultura camponesa trabalha com sete mil espécies. Então, quem vocês acham que vai nos dar as maiores chances de nos alimentar diante das mudanças climáticas?
O que ele quer dizer com isso? Provavelmente, que quanto maior a diversidade, menores os prejuízos com mudanças bruscas no ambiente. Por exemplo, uma determinada região pode passar de úmida a seca em pouco tempo. Isso poderia inviabilizar o cultivo de várias espécies nativas daquele ambiente. Mas elas poderiam ser substituídas por outra espécie, mais adequada ao novo clima.

No entanto, o meio mais rápido de responder a essa situação seria recorrer à biodiversidade do planeta. Já a solução favorita do agronegócio é a adaptação genética das plantas. Um processo muito mais caro e imprevisível. Sem falar que sua lógica é a mesma que vem causando as desastrosas alterações no clima do planeta.

Além disso, maior diversidade oferece mais chances de que algumas de suas espécies sobrevivam. E estas poderiam se tornar uma nova fonte de recursos. Isso não acontece em relação à monocultura promovida pelos monopólios de alimentos e insumos. São grandes extensões com apenas uma espécie. Se esta desaparecer, dificilmente será substituída rapidamente por outra.

Este é apenas um dos aspectos levantados por Mooney. Há muitos outros igualmente importantes. Por isso, vale a pena ler a reportagem na íntegra: “Apenas a agricultura camponesa vai alimentar o mundo no momento de crise”, diz especialista.

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