sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Um maestro negro e revolucionário

Há biografias tão incríveis que parecem obra de ficção. É o caso de Joseph Bologne de Saint-George. Trata-se de um músico nascido no século 18, em Guadalupe, possessão francesa situada no Caribe. Filho de um nobre francês com a escrava Nanon, Bologne receberia educação de primeira na terra natal de seu pai.

Entre seus maiores talentos estavam a esgrima e a música. No manejo da espada, chegou a ser citado como exemplo em manuais do esporte. Na arte musical, ganhou fama como violinista virtuose. Aos 27 anos, já dirigia a Concert des Amateurs, importante orquestra de Paris.

Alcançou sucesso e prestígio rapidamente, inclusive como conquistador de corações. Mas, aos 45 anos, abandonou a vida luxuosa. Juntou-se à Revolução Francesa, no comando de um batalhão de negros e mestiços. Apesar de sua bravura, acabou injustamente condenado pelos tribunais jacobinos. Escapou da guilhotina por pouco. Chegou a participar da revolução haitiana, mas se decepcionou com as tentativas de restaurar a ordem escravista.

A obra musical de Bologne inclui sinfonias, concertos e comédias musicais. Foi ele que encomendou as “sinfonias parisienses” de Haydn. Alguns especialistas sentem a influência de seu estilo na obra de Mozart. Morreu distante da fama, mas sua morte foi lamentada pelos grandes jornais da época.

A partir do século 19, Joseph Bologne foi sendo esquecido pela história da música. Sua origem mestiça certamente colaborou para essa injustiça. Somente a partir dos anos 1970, suas obras começaram a ser lembradas. Para conhecê-las, visite o blog www.sul21.com.br/blogs/pqpbach. E aproveite para saber mais sobre o grande revolucionário do violino. 

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