segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A saúde pública atropelada

“Saúde não é linha de montagem de automóveis” diz o título de artigo de Paulo Romano, membro do Conselho Nacional de Saúde, publicado no Valor em 23/08. O título se refere a uma propaganda que compara a eficiência de uma grande rede hospitalar privada à produção automobilística.

O texto traz vários números impressionantes. Por exemplo, as famílias brasileiras gastam metade de seu orçamento com saúde. Algo que só ocorre em outras 30 nações, a maioria pobre. A média mundial de gastos públicos no setor é de 14,3%, mas no Brasil, só 5,9%. Inferior, diz o texto, à “média do continente africano, de 9,6%”.

Romano diz ainda que existem no País “26 leitos para cada grupo de 10 mil pessoas”. A média mundial é de 30 por 10 mil. Na Europa e Estados Unidos, esse número é três vezes maior. E é aí que poderia entrar uma comparação que o autor do artigo não fez, mas também envolve automóveis.

Edição do Estadão de abril de 2012 diz que o País tem um automóvel para cada cinco brasileiros. Mas São Paulo, por exemplo, tem um veículo para cada 1,8 habitante. Ao mesmo tempo, a redução de IPI para carros deve ser mantida por mais dois meses, afirmam os jornais.

Mais automóveis nas ruas significam mais acidentes e níveis de poluição que causam doenças graves. Portanto, mais pressão sobre o sistema público de saúde. E o que fazem os governantes? Investem pouco no setor e cortam impostos para aumentar a venda de veículos.

É assim o desenvolvimento econômico: atropela a saúde pública, com omissão de socorro.

Leia também: “Revolução permanente” contra o SUS

Um comentário:

  1. Eu estava ouvindo uma reportagem da CBN e entrevistaram uma pessoa especialista em não sei o quê, rs. Ele dizia que municipalizaram tanto algumas demandas que é difícil ter integração dos municípios, alguns com prefeitos inimigos políticos, para solucionar o problema de planejamento do transporte público entre cidades. Ou criação de empregos em áreas mais afastadas. Mas com os atuais candidatos na frente, nós sabemos que São Paulo vai aprofundar os privilégios ao transporte individual.

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