quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Índio demais, atrapalha. De menos, não tem direitos

“Num país mestiço como o nosso, onde todo mundo é misturado, os índios não podem ser misturados. Uma hora ele é índio demais e atrapalha, outra hora ele é índio de menos, e não tem direitos”, diz Lucia Helena Rangel, em entrevista concedida à IHU On-Line, em 24/08.

A antropóloga se refere à imagem que o senso comum tem do indígena brasileiro. Índio de verdade tem que andar nu, pintado, usar cocares, morar em ocas, sem tecnologia e o mais isolado possível. A ideologia racista aproveita-se desse preconceito e o reforça.

Para os índios, nem o mito da “democracia racial” serve. Estamos falando da ideologia branca que alega não haver racismo entre nós. O conceito é de Florestan Fernandes e pode se resumido assim: no Brasil, os negros são tratados como iguais, desde que fiquem em seu lugar.

Um dos pilares dessa ideologia racista é a miscigenação. A louvável mistura de etnias é usada para disfarçar as condições sociais escandalosamente desfavoráveis aos não brancos. Para os índios, no entanto, o recado é claro: fiquem em suas tribos e não atrapalhem o progresso, dizem os poderosos.

Em suas terras, o progresso e o desenvolvimento abrem enormes clareiras. Derrubam crenças e costumes milenares. Condenam culturas e vidas à morte lenta e a massacres fulminantes. Tudo para construir elefantes brancos e lucrativos nas selvas brasileiras.

Felizmente, a resistência cresce entre os povos indígenas de todo o Brasil. E sua presença aumenta nas cidades, diz o último censo. Ótimo. Mais lutadores contra a democracia racista que ajuda a sustentar uma das sociedades mais desiguais do planeta.

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