segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Falem mal, mas falem da greve

“Falem mal, mas falem de mim”. Os movimentos populares estão reduzidos a essa situação há muito tempo. Principalmente, no caso das greves. Mas não só. Os caminhoneiros e os motoboys foram parar nas manchetes dos jornais semana passada.

Os primeiros bloquearam estradas, paralisaram o tráfego e provocaram algum desabastecimento. Os motociclistas fizeram manifestações em grandes cidades, aumentando o já costumeiro caos do trânsito. As duas categorias protestavam contra mudanças na legislação que lhes trariam prejuízo.

Alguns profissionais da grande imprensa chegaram a dar razão aos manifestantes. Mas reclamaram do “método”. Não deveriam ter atrapalhado a vida daqueles que nada tinha a ver com as medidas. O fato é que os atingidos só foram ouvidos depois de partir para a ação. Antes disso, ficou tudo restrito aos gabinetes dos parlamentos e governos.

A grande mídia faz sua parte silenciando sobre questões como estas. É o que ocorre com as greves. Elas praticamente só aparecem nos boletins de trânsito, ao promoverem passeatas e manifestações. E o tom é sempre o de condenação: “atrapalham a vida do cidadão comum”, dizem. Pouco ou nenhum detalhe sobre as reivindicações, os problemas profissionais, a realidade salarial dos grevistas.

Isso tudo é produto de uma imprensa monopolizada e a serviço dos patrões. As greves no setor público, por exemplo, são apontadas como resultado de um “Estado ineficiente” que “paga altos salários a gente incompetente”. Discurso que os vários governos, do federal aos municipais, de oposição ou não, aceitam docilmente.

Bem feito pra nós. Continuamos sem um projeto de comunicação popular, rendidos à lógica da grande mídia e com as orelhas a queimar.

Leia também: As greves nos manuais da grande mídia

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