segunda-feira, 20 de maio de 2013

A ilusória agonia do imperialismo

Ignacio Ramonet publicou “O mundo em 2030” na Carta Maior, em 16/05. O artigo cita algumas conclusões de um documento elaborado pela CIA chamado “Tendências mundiais 2030: novos mundos possíveis”. Trata-se de um relatório entregue aos presidentes americanos a cada início de mandato.

Entre as muitas constatações do documento estaria o “declínio do Ocidente”. Por “Ocidente” entenda-se Alemanha, Reino Unido, França e o nada ocidental Japão. Potências que estariam perdendo participação na economia mundial. Enquanto isso, países como China, Índia, Brasil, Rússia, África do Sul estariam em ascensão.

E ainda haveria o surgimento de novos ”polos hegemônicos regionais”. Seria o caso de Colômbia, Indonésia, Nigéria, Etiópia, Turquia e Vietnã. Desse modo, estaria se configurando um “mundo multipolar”, em que “novos atores” poderiam “disputar a supremacia internacional a Washington e aos seus aliados históricos”, diz Ramonet.

Mas, afinal, o que significa “disputar a supremacia internacional” se não competir pelos mercados mundiais? Imperialismo não é sinônimo de dominação por parte de impérios nacionais. É a forma como o sistema capitalista funciona em nível mundial. No ocidente e no oriente.

Os tais “novos atores” estão apenas lutando por uma participação maior no saque aos povos e recursos do planeta. Aliás, a China já vem assumindo esse papel claramente. Inclusive, avançando sobre regiões de interesse da economia brasileira. Entre elas, a América do Sul, que o capital que tem sede aqui considera seu quintal.

Que a CIA esteja preocupada é natural. Que o relatório mostra contradições que devem ser aproveitadas pelas forças anticapitalistas é inegável. Mas que setores da esquerda estejam comemorando uma suposta agonia do imperialismo é miopia.

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