segunda-feira, 6 de maio de 2013

Trabalho doméstico e preconceitos de mercado

“Lançamentos da indústria miram famílias sem domésticas”, diz matéria do Globo de 05/05. A reportagem de Clarice Spitz e Nice de Paula trata basicamente de produtos para o lar que tornariam a “vida mais prática”. O público-alvo é formado por quem já não pode contratar trabalhadores domésticos devido à recente ampliação de seus direitos.

Mas essa situação também pode gerar lucros em outros ramos. É o que diz a reportagem “Pequeno negócio se prepara para tomar lugar de domésticas”, publicada em 07/04 por Felipe Maia e Reinaldo Chaves na Folha.

A matéria destaca o aumento “na demanda por serviços terceirizados de alimentação, lavanderia e limpeza”. Ou seja, a mais que justa regulamentação do trabalho doméstico não se deve apenas a razões humanitárias. Uma fatia do mercado deve crescer e render lucros que dificilmente serão aproveitados somente pelos “pequenos negócios”.

Claro que relações profissionalizadas são muito melhores que o tratamento escravocrata dispensado à grande maioria das domésticas. Mas não se espere nada além daquilo que o “mercado” costuma oferecer.

Corre pela internete o anúncio de uma empresa de serviços domésticos de Sorocaba. Uma das perguntas do formulário a ser preenchido queria saber se o interessado tem “preconceito de cor”. Muito provavelmente, para que clientes racistas pudessem receber atenção diferenciada.

Após muitas denúncias, o site foi tirado do ar, mas não a lógica que está por trás dele. O racismo, o machismo, preconceitos de todo tipo são elementos atuantes nas “leis de mercado”. Continua a valer a velha combinação de humilhação e superexploração com leis facilmente ignoradas.

Leia também: Vozes escravagistas contra os direitos das domésticas

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