segunda-feira, 13 de maio de 2013

Abaixo a tolerância. Viva a indiferença

Quando se fala em intolerância religiosa, os muçulmanos são logo lembrados. De fato, há muitos seguidores do islamismo que merecem essa fama. Mas eles não representam todos os muçulmanos. Há até quem diga que o livro sagrado islâmico é o único há defender claramente a liberdade religiosa. Pelo menos é o que se pode deduzir do seguinte trecho do Corão:

Nenhuma obrigatoriedade em religião. O caminho da retidão distingue-se por si mesmo do caminho do desvio (Corão, 18, 29)

Enquanto isso os dez mandamentos, adotados por judeus e cristãos, começam ordenando: “Não terás outros deuses diante de mim”. E o livro do Êxodo, também presente nas duas tradições religiosas, diz o seguinte em relação a outras religiões:

Não te inclinarás diante dos seus deuses, nem os servirás, nem farás conforme as suas obras; antes, os destruirás totalmente e quebrarás de todo as suas estátuas. (Êxodo 23, 24)

Isso não quer dizer que cristãos e judeus sejam necessariamente mais intolerantes que muçulmanos. Tudo depende do uso que se faz da fé. Muitas vezes, ela é posta a serviço de objetivos bem terrenos e rasteiros, como o domínio e a exploração de povos e territórios.    

Mas nem a tolerância recomendada pelo Corão deveria nos bastar. Tolerar é o mesmo que suportar, aguentar, deixar passar. A ideia de um “caminho da retidão” ainda contém um núcleo negativo e preconceituoso.

Só nos trataremos como irmãos de espécie quando adotarmos uma espécie de indiferença curiosa. Quando a fé, a orientação sexual, a cor da pele, o gênero não causarem incômodos mútuos. Quando tudo isso servir para enriquecer a condição humana.

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