quarta-feira, 29 de maio de 2013

Aos “caras pálidas” de todas as cores

Um grupo de 170 indígenas voltou a ocupar o canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte, em Vitória do Xingu, Pará. Lançaram o manifesto “Governo federal, nós voltamos”.

Eles já haviam ocupado o local por 8 dias, no início deste mês. Saíram sob a garantia de que seriam ouvidos pelo governo federal. Diante da quebra da promessa, os indígenas retornaram, muito a contragosto: “Não queríamos estar de volta no seu deserto de buracos e concreto”, disseram.

Mas não tiveram escolha. Como dizem:

Temos que lutar contra barragens que inundam os nossos territórios, que cortam a floresta no meio, que matam os peixes e espantam os animais, que abrem o rio e a terra para a mineração devoradora. Que trazem mais empresas, mais madeireiros, mais conflitos, mais prostituição, mais drogas, mais doenças, mais violência.

Também denunciam as mentiras sobre conflitos com os trabalhadores das obras. “Aqui no canteiro nós jogamos bola juntos todos os dias”, diz o manifesto. Por fim, avisam:

Temos o apoio dos indígenas de todo o Xingu. Temos o apoio dos Kayapó. Nós temos o apoio dos Tupinambá, Guajajara, Apinajé, Xerente, Krahô, Tapuia, Karajá-Xambioá, Krahô-Kanela, Avá-Canoero, Javaé, Kanela do Tocantins e Guarani. E a lista está crescendo.

Os portugueses costumavam aproveitar as guerras entre esses povos para dominá-los. Agora, o governo dos brancos está conseguindo uni-los com seus projetos destruidores. Mas a luta é extremamente desigual. Tropas federais fortemente armadas garantem os interesses das grandes empresas.

Por isso, a causa indígena precisa de todo o apoio de quem tem um mínimo de vergonha em suas “caras pálidas”.


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