sexta-feira, 3 de maio de 2013

Inflação nos alimentos é culpa do agronegócio

Em 25/04, a página do MST na internete publicou um artigo esclarecedor. Trata-se de “Inflação dos alimentos está ligada à hegemonia do agronegócio”, de José Coutinho Júnior. O texto responsabiliza o agronegócio pela recente alta de preço dos alimentos. Coutinho explica:

De 1990 para 2011, as áreas plantadas com alimentos básicos como arroz, feijão, mandioca e trigo declinaram, respectivamente, 31%, 26%, 11% e 35%. Já as de produtos do agronegócio exportador, como a cana e soja, aumentaram 122% e 107%.

Com menor área para seu plantio, a oferta de alimentos cai e seu preço sobe. É por isso que:

No ano passado, o país importou US$ 334 milhões em arroz, equivalente a 50% do valor aplicado no custeio da lavoura em nível nacional. No caso do trigo, o valor das importações foi de US$ 1,7 bi, duas vezes superior ao destinado para o custeio da lavoura, e a produção de mandioca atualmente é a mesma de 1990.

Segundo o artigo, a agricultura familiar e os assentamentos da Reforma Agrária “ocupam 30% das terras agricultáveis do país, mas produzem 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros”. No entanto, dados do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) revelam que, entre 2003 e 2012, o financiamento para o plantio de feijão sofreu queda de 81%. Para o arroz, caiu 77,4%, mandioca, 69%, e milho, 44%.

Ou seja, os governos petistas não apenas engavetaram a Reforma Agrária e trocaram a o MST pelo agronegócio. Também abandonaram a agricultura familiar e os assentamentos. E usam o fantasma da inflação para subir os juros, reafirmando a receita neoliberal que nunca abandonaram.

Leia também: Reforma Agrária: nem aos bispos adianta reclamar

4 comentários:

  1. Olá Sergio. Onde você achou na internet dados referentes ao crédito disponibilizado para plantio dessas culturas?
    Outra coisa, os grandes defensores do agronegócio dizem que o mesmo é responsável pelo desenvolvimento econômico do país e pela redução da desigualdade social. O que você me diz a respeito?

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    1. Não que eu seja defensor do agronegócio rss, mas gostaria de saber a sua opinião a respeito dessas declarações de um professor da USP
      http://www.campograndenews.com.br/rural/ms-e-um-dos-estados-que-mais-crescem-no-agronegocio-diz-pesquisador-da-usp

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  2. Oi, Eiji. Os dados estão no próprio artigo citado no texto: http://www.mst.org.br/A-inflacao-dos-alimentos-se-deve-a-politica-agricola-adota-pelo-governo-afirmam-especialistas. Quanto ao que dizem os defensores do agronegócio, é verdade que o setor é um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento econômico nacional. O crescimento do PIB geral do País deve fechar pouco acima dos 2%. Do Agronegócio deve crescer mais que i triplo disso. Mas é falso que contribua para diminuir a desigualdade social. Ao contrário trata-se de um desenvolvimento econômico que a aumenta as disparidades sociais. E um dos motivos é exatamente aquele citado pelo tal professor da USP: ele disse que o MS "é um dos melhores posicionados no cenário nacional por ter pouca gente". Ou seja, o agronegócio precisa de pouca mão de obra, criando pouquíssimos empregos em relação à riqueza que produz. Enquanto os financiamentos públicos vão para um setor como este, a agricultura familiar, que ocupa muito mais gente, fica com bem menos crédito. Mas o tal professor, pelo menos é sincero: admite que é pago para falar em congressos. Adivinhe pago por quem?
    Valeu, Eiji
    Abraço

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  3. Claro que deve ter sido pago pelo Pedrossian e sua cambada assassina de índios aqui do MS.
    É possível saber aonde esse dinheiro trazido pelo agronegócio é aplicado?
    Abraços

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