quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Dilma foi a Davos entregar sua carta aos exploradores

“Grandes empresários preferem Aécio, mas acham que Dilma leva”. Este era o título de reportagem publicada pelo Valor, em 17/05/2013. Citava pesquisas feitas com presidentes de 97 das 200 maiores empresas privadas do país.

Segundo o levantamento, 66% dos entrevistados preferiam o tucano. É verdade que Dilma tinha 65% na população em geral, mas isso não basta para o projeto petista para o País. E Davos acaba de mostrar isso.

O discurso de Dilma na Suíça pode ser considerado uma nova "Carta aos Brasileiros". Em busca da reeleição, ela reedita o documento divulgado por Lula nas eleições de 2002 para acalmar o “mercado”. É uma nova “Carta aos Banqueiros”.

Alguns trechos do que Dilma disse: "Buscamos com determinação a convergência para o centro da meta inflacionária". "A responsabilidade fiscal é um princípio basilar da nossa visão do desenvolvimento econômico e social". "Em breve, meu governo definirá a meta de superávit primário para o ano consistente com a redução do endividamento público."

Davos reúne os representantes dos maiores exploradores do mundo. São banqueiros e empresários a quem o governo petista quer agradar a qualquer custo. Não somos nós que dizemos. As palavras são do petista André Singer, ex-porta-voz do governo Lula:

A ida de Dilma Rousseff ao Fórum Econômico Mundial faz parte de um árduo roteiro, uma espécie de caminho de Compostela, que a mandatária se vê condenada a cumprir para obter a absolvição dos endinheirados. Há um ano o governo busca, sem sucesso, mostrar ao mercado financeiro que desistiu da "aventura" desenvolvimentista e deseja restabelecer o "status quo ante" (Folha de S. Paulo, 25/01/2014).

4 comentários:

  1. Olá, Sérgio!
    Vc consegue explicar qual seria a alternativa ao modelo escolhido pelo PT, o que chamam de aventura desenvolvimentista?

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    1. Oi, Nelia. Não sei se consigo explicar em poucas palavras. Imagino que uma alternativa seria o resgate das bandeiras históricas do PT, como a Reforma Agrária, ampliação e investimento nas redes públicas de saúde, educação e transporte urbano, investimento em pequenos empresas e produtores agrícolas, desatrelamento da estrutura sindical do Estado, incentivo a fontes sustentáveis de energia, fim da agenda neoliberal centrada no controle da inflação, superávit primário e economia dolarizada, auditoria da dívida interna. Estas e algumas outras bandeiras defendidas por muitos setores e partidos de esquerda como PSOL, PCB, PSTU, MST, MPL e setores do próprio PT, entre outros. Espero que tenha ajudado a esclarecer.

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    2. Ok em relação às bandeiras históricas. Minha ignorância em relação à economia limita a análise, acho. Mas chuto que o caminho de investir nos pequenos empresários e, claro, no social, movimenta e sustenta a economia. A neura dos índices fica superada quando há vontade e apoio politico.

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    3. É um pouco poraí, Neila (desculpe pelo "Nelia" da outra resposta). O fato é que apostar no aprofundamento do atual modelo com apenas alguns remendos sociais não deve dar resultado algum em relação ao combate à desigualdade estrutural e secular da sociedade brasileira.
      Obrigado pelos comentários
      Abraço!

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