sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Na Copa, democracia racionada, repressão abundante

A Copa do Mundo vem aí. Mas o que muita gente quer saber mesmo é como serão as manifestações populares contra a realização do torneio. Serão capazes de repetir ou superar o tamanho que assumiram em 2013?

Ninguém sabe, mas o aparelho repressivo do Estado já está dando sua resposta. Alckmin criou um batalhão da PM com função antiterrorista. Cabral, um Batalhão de Grandes Eventos. O governo federal, a Força Nacional de Segurança Pública.

Em texto recente, Lincoln Secco utiliza o conceito de “democracia racionada", criada por Carlos Marighella, que descreveria:

... os regimes brasileiros que não são exatamente uma ditadura aberta, mas que também não se tornam democráticos. Assim, podemos definir a democracia racionada como uma forma semi-legal em que a violência contra os pobres e os opositores se combina com ações autoritárias dentro da legalidade e os escassos direitos são distribuídos a conta gotas para os setores mais moderados da oposição.

Um exemplo seria o período entre 1946 e 1964. Apesar de haver eleições, partidos e justiça funcionando, a repressão nunca cessou. Só o governo Dutra matou quase uma centena de comunistas.

Referindo-se aos desafios do atual período, Lincoln afirma: “Ou consolidamos um regime democrático ou recuamos para formas semi-ditatoriais, como no período 1946-1964”.

A má notícia é que a maior força política de esquerda surgida nas últimas décadas já se rendeu à “democracia racionada”. O PT tem muitas diferenças em relação a setores de direita. Daí, a grande rivalidade eleitoral. Mas em relação às manifestações, uns e outros preparam idênticas e abundantes medidas de repressão.

Leia o texto de Lincoln Secco, aqui

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