quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Ingredientes para um enorme molotov social

Mauro Zanatta publicou a reportagem “Presidente teme efeito ‘devastador’ à imagem do País”, no Estadão de 27/01. Um trecho diz:

Uma "aliança", ainda que não combinada, entre índios, trabalhadores sem terra, movimentos de sem teto e facções no controle de presídios às vésperas da Copa da Fifa de Futebol tem mantido o governo sob permanente tensão e obrigado ministros a uma intensa troca de informações de bastidores sobre esses "termômetros" sociais.

O texto também cita os rolezinhos e a volta dos black-blocs. O jornalista tem razão. Não há nenhuma conspiração golpista nisso tudo. Se alguém criou essa mistura explosiva foi o próprio governo.

Os direitos dos indígenas estão sendo atropelados por empreiteiros, mineradoras e agronegócio. Setores com que o governo construiu sua base de apoio no Congresso e fora dele.

As obras para a Copa não acarretaram apenas uma montanha de dinheiro desperdiçado e roubado. Também produziram milhares de sem-tetos.

Por dez anos, o governo federal assistiu imóvel ao encarceramento em massa que transformou os presídios superlotados em matadouros explosivos.

O lulismo apostou no consumo como ascensão social e ajudou a tornar os shoppings fortalezas a serem conquistadas pela juventude pobre.

A estupidez violenta das PMs estaduais não é apenas tolerada. O governo federal resolveu legalizá-la e reforçá-la com suas próprias tropas.

O caos urbano é produto direto da aposta no financiamento público da indústria automobilística e do correspondente abandono dos transportes públicos.

A polícia procura molotovs nas mochilas e bolsas dos manifestantes. Mas as verdadeiras bombas estão sendo fabricadas nos palácios do poder. Os fósforos estão nas mãos dos governantes. Acesos.

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