quarta-feira, 21 de maio de 2014

A Copa e a máquina militar do governo petista

Há quem diga que o governo Dilma ficou aliviado com as manifestações contra a Copa realizadas em 15/05. Para os ocupantes do Planalto a adesão aos protestos foi baixa. E teriam contado com participação maior de setores sindicais, avessos a “atos violentos” e voltados para suas próprias reivindicações.

Se isso é verdade, o governo pode estar incorrendo em sério erro de avaliação. Desde a segunda metade dos anos 1990, despencou o número de greves no Brasil. Em 2010, foram 446. Em 2012, 554. Muito menos que as 1.228 de 1996. Mas, a partir de 2012, as greves voltaram com força total, chegando a 873.

Ninguém esperava que acontecessem as grandes manifestações de junho de 2013. Mas elas foram antecedidas e alimentadas exatamente por essas inúmeras lutas menores e setoriais. E já em 2014, a vitoriosa greve dos garis cariocas mostrou que a temperatura das lutas classistas continua elevada.

Na grande maioria das vezes, a violência nas manifestações é provocada pela polícia. O principal pretexto é a desobstrução de ruas e avenidas. O problema é que mobilizações sindicais também ocupam vias urbanas. Além disso, os trabalhadores sabem que seu poder de pressão aumenta durante grandes eventos. Daí, as inúmeras greves nas obras dos estádios, por exemplo.

Ainda que não sejam tão grandes como foram em junho, muitas manifestações acontecerão durante a Copa. Um poderoso aparato militar as espera. Boa parte dele subordinado a autoridades federais. Com a vergonhosa exceção do movimento indígena, os governos petistas ainda não foram responsáveis diretos pela repressão aos movimentos sociais. Agora, isso pode mudar.

Era só o que faltava. Literalmente.

2 comentários:

  1. Sergio, nas manifestações de junho/2013, aqui em São Paulo, tiveram o aval do prefeito Haddad. O ministro da justiça colocou à disposição o exército para atuar no sentido de coibir o que ele chamou de exagero. Diretamente, a ação da polícia, é responsabilidade dos governos de estado. Aliados e governos petistas também colocaram a polícia na rua. Para mim não falta mais nada.
    Mas, a questão principal é o tamanho que podem ter as manifestações durante a copa. Se forem do tamanho das de junho/2013... Aí eu quero ver o que o governo vai fazer. Imagina a cena transmitida mundialmente, com centenas de milhares de manifestantes e o governo sentando o pau. Sinceridade, era o que queria, não a porrada, mas manifestações massivas. Imagina o país do futebol sendo o país mundialmente a criticar a manipulação do futebol. Eu não mereço tanta felicidade. Se forem estas pequenas manifestações eles vão meter o pau e tudo bem. Infelizmente, acredito na 2a hipótese. Espero estar enganado como estive em junho/2013.

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    1. É, Marião, mas o discurso petista é de que as polícias são estaduais, que este governo pelo menos dialoga etc. Também acho que a omissão petista é criminosa, pra não falar na tal disposição de colocar tropas federais à disposição da direita. Mas o fato é que se o pau comer (e deve comer) nas manifestações vai ter repressão petista. Realmente, resta saber se as manifestações serão grandes e também não estou otimista quanto a isso.
      Bração

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