terça-feira, 13 de maio de 2014

Thomas Piketty e sua radiografia do óbvio

O livro “Capital in the Twenty-First Century” (“O capital no século 21”) continua a causar sensação. Escrita pelo economista francês Thomas Piketty, a obra afirma que a vocação do capitalismo é criar mais desigualdade social.

Piketty estudou dados de 30 países referentes ao período de 1700 a 2012. Verificou que a produção anual cresceu em média 1,6%, mas o rendimento do capital foi de 4 a 5%. Números que comprovam o que Marx já havia afirmado, século e meio atrás.

A diferença é que Piketty não é marxista e utiliza métodos da economia clássica, que sempre afirmou que no capitalismo a desigualdade tende a diminuir. O economista francês afirma que, em 300 anos de capitalismo, a desigualdade só caiu nos 25 anos após o genocídio provocado por duas guerras mundiais.

É a pressão dessa realidade que vem levando lideranças mundiais a admitir os males do capitalismo. O Papa Francisco afirmou em um documento publicado em 2012: “Não podemos mais confiar nas forças cegas e na mão invisível do mercado”. Em suas campanhas eleitorais Barack Obama e François Hollande destacaram os problemas criados pela desigualdade.

O estudo de Piketty é uma contribuição importante, sem dúvida. Mas quem luta contra o capitalismo já havia sido informado de seu conteúdo muito antes. O movimento Occupy, por exemplo, desde 2008 vem alertando: 99% da humanidade são explorados pelo 1% que controla a riqueza e o patrimônio mundial.

Resta saber se a esquerda que governa continuará tentando gerenciar uma máquina que só sabe produzir injustiça social. Se escolherá a tradição revolucionária de Marx ou a radiografia do óbvio de Piketty.


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