quinta-feira, 1 de maio de 2014

Chegou “O Capital do século 21”. Os capitalistas gostaram

O livro está em primeiro lugar entre os mais vendidos da Amazon. Paul Krugman escreveu no New York Times que se trata da mais importante publicação do ano em economia e, talvez, da década. O Financial Times considerou seu autor um “economista rock-star”. A Casa Branca tem mantido conversas com ele.

Estamos falando de Thomas Piketty, economista francês e autor de “Capital in the Twenty-First Century” (O capital no século 21). A grande novidade da obra seria a revelação de que o capitalismo é uma máquina que só produz desigualdade. Conclusão baseada em “dados fiscais” coletados desde o século 18 em 20 países.

O estudo, certamente, deve apresentar dados importantes. Mas é estranho que tenha sido recebida como obra reveladora. Afinal, mais de um século atrás, “O Capital”, de Karl Marx, já denunciava a inevitável concentração de renda e patrimônio provocada pelo capitalismo. Ao mesmo tempo, é provável que haja muitas diferenças entre as duas obras.

Quem já leu o trabalho de Piketty diz que ele propõe como solução para as contradições capitalistas forte regulação estatal e pesados impostos sobre os ricos. Algo com que Marx nunca concordaria. Para ele, o atual estado jamais controlaria o capital porque está a seu serviço. E taxar os exploradores implicaria aceitar sua existência como inevitável.

Mas a maior diferença entre os dois autores talvez não seja esta. Piketty vem sendo aclamado pelos donos do poder porque propõe ajustar o capitalismo para manter sua exploração. Os estudos de Marx sobre o funcionamento do capital estavam a serviço da luta por sua extinção. Um é economista. O outro era revolucionário.

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