quarta-feira, 14 de maio de 2014

Pirataria praticada por gente graúda pode

A hepatite C afeta aproximadamente 3% da população mundial. Já existem medicamentos eficazes para combater a doença. Mas custam cerca de 150 mil reais para um ano de tratamento. Os preços elevados seriam devido ao custo das pesquisas, dizem as grandes farmacêuticas que comercializam o remédio. Afirmação falsa como um placebo.

Estes dados são do artigo “Patentes, a privatização do esforço comum” publicado pela IHU-Online, em 02/05. Vejam o que diz um trecho:

As farmacêuticas descreveram a hepatite? NÃO. Os vírus? NÃO. Foram elas as que, quando a hepatite se chamava não-A e não-B, descobriram o novo vírus que, mais tarde, chamou-se de “C”? NÃO. Foram elas que descreveram os marcadores sorológicos para detectar no sangue? NÃO. Foram elas que descobriram os diversos genótipos? NÃO. São elas que descobriram as polimerasas? NÃO. Elas fizeram a sequência do genoma do vírus da hepatite C?  NÃO. Elas descobriram o papel chave da proteína NS5A para sua sobrevivência? NÃO. Foram elas que descobriram os inibidores desse NS5A? NÃO... O que elas fizeram? Coletaram toda essa informação, poliram um pouco a molécula, engarrafaram-na e usaram sua posição no mercado para distribuí-la.

E isso vale para todas as maravilhas oferecidas pelas grandes empresas, incluindo as badaladas Google e Apple. Na grande maioria dos casos, foram as universidades e laboratórios públicos que chegaram às inovações. Mas este saber acumulado por milhares de pesquisadores é simplesmente entregue pelo Estado aos gigantes do mercado.

Enquanto isso, a repressão estatal cai sobre pessoas e pequenas organizações que fazem cópias de programas e outros produtos. A única pirataria permitida é aquela praticada por gente graúda.

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