terça-feira, 6 de maio de 2014

As mãos sujas do governo brasileiro no Haiti

Em 30/04, completaram-se 10 anos da invasão do Haiti por tropas da ONU, lideradas por brasileiros. Na Unicamp, o haitiano Franck Seguy acaba de apresentar sua tese de doutorado sobre um dos aspectos da ocupação. O título é "A catástrofe de janeiro de 2010, a 'Internacional Comunitária' e a recolonização do Haiti".

Seguy disse ao jornal da Unicamp que a ajuda internacional a seu país é uma “grande mentira”. A missão é de paz, afirma ele, mas o país nunca esteve em guerra. E qualquer semelhança com a “pacificação” violenta das favelas brasileiras não é coincidência. Vários soldados que atuam na implantação das UPPs no Rio de Janeiro treinaram no Haiti.

Comentando o terremoto de 2010, Seguy afirma que a região mais atingida foi o departamento onde fica a capital, Porto Príncipe. Mas os recursos para a “reconstrução” estão sendo utilizados longe dali, no nordeste do país.

É lá que está sendo implantado um parque industrial têxtil voltado para a exportação. O principal destino da produção será os Estados Unidos. Pagando salários de 5 dólares por dia, tecidos e vestuário chegarão aos mercados americanos a preços chineses.

Tudo isso é parte de um acordo assinado com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a companhia de têxtil coreana, Sae-A Trading.

Enquanto isso, até o início de 2014, mais de 150 mil pessoas continuavam desabrigadas em Porto Príncipe. Morando em tendas e sem água “nem para lavar as mãos”, diz Seguy. Também não há água que lave a sujeira das mãos do governo brasileiro em toda essa vergonhosa operação.

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