quarta-feira, 30 de julho de 2014

Festival de Autoritarismo que Assola o País

    Latuff
Durante a Ditadura Militar, Sérgio Porto publicou uma de suas obras mais famosas, "Febeapá, o Festival de Besteiras que Assola o País". Conhecido como Stanislaw Ponte Preta, o cronista ridiculariza em seu livro a estupidez intelectual da repressão estatal.

É o caso dos agentes do DOPS que invadiram o Teatro Municipal de São Paulo durante apresentação da peça “Electra”. Queriam prender o autor da obra, considerada subversiva. Era Sófocles, falecido em 406 a.C..

50 anos depois, episódios semelhantes envolvem a prisão de militantes políticos e manifestantes. Em um dos inquéritos apareceria como suspeito o anarquista russo Mikhail Bakunin, morto em 1876.

Entre as evidências incriminadoras encontradas nas casas dos ativistas presos, estão, por exemplo, uma bandana da banda Nirvana, camisetas com caveiras e casacos camuflados. Panfletos do movimento "Não vai ter Copa", edições das revistas "Carta Capital" e "História Viva" e agendas contendo telefones de parlamentares do PSOL também aparecem como provas.

Até um caderno com a Galinha Pintadinha na capa foi apreendido. Aparecia nele o número do celular do delegado da Polícia Civil, Orlando Zaccone.

Tal como na Ditadura, o ridículo das autoridades não alivia o peso de seus crimes. São as prisões ilegais, a tortura e, no caso dos pobres e pretos, também as execuções.

Enquanto isso, o Exército anuncia que está “remodelando” seu centro de inteligência. O objetivo? Monitorar os movimentos sociais.

Já não vivemos em um Estado de Exceção. Mas os excessos autoritários do Estado nunca cessaram e ameaçam tornar-se regra novamente.

É o Festival de Autoritarismo que Assola o País. Com enorme apoio da imprensa e generoso patrocínio dos governos.

Leia também: DOPS, DIP, PT, PSDB e outras siglas

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