terça-feira, 1 de julho de 2014

O futebol em meio a duas geopolíticas

A pílula sobre a geopolítica do futebol rendeu comentários pertinentes. Alguns notavam que a divisão entre potências grandes, médias e emergentes do futebol não considera a enorme internacionalização de seus jogadores.

O caso brasileiro é exemplar. Apenas quatro dos 23 convocados jogam aqui. O restante está espalhado por Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França, Canadá e Rússia.

Uma das implicações dessa situação é o racismo e a xenofobia que atingem esses jogadores. Mas as seleções europeias sofreriam sem os filhos de seus imigrantes. É o caso do atacante Benzema, considerado francês quando marca gols e árabe quando os perde.

Outra dimensão importante é a econômica. Os dados são de Armando Sartori em reportagem publicada no Retrato do Brasil, em 27/06: os 23 jogadores que compõem nossa seleção valem cerca de 714 milhões de dólares. Montante equivalente a 9% dos 7,9 bilhões de dólares estimados para todas outras 32 seleções que participam do torneio.

Parece muito dinheiro, mas não é. Só a Fifa pode faturar 5 bilhões de dólares com a Copa deste ano. Fortuna garantida pelo trabalho dos jogadores em campo.

Nesse mercado, diz Sartori, o Brasil “é exportador, enquanto os times de países da Europa Ocidental, principalmente, e também os da Europa Oriental, do Leste Asiático e até alguns do Oriente Médio são importadores”.

Portanto, a geopolítica do mercado de jogadores seria mais fiel àquela vigente na economia em geral. A grande diferença é que não se trata de commodities. São talentos de que somos privados.

Ou seja, as contradições entre as duas geopolíticas não impedem que ambas sirvam à acumulação e concentração de capital. 

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