quarta-feira, 2 de julho de 2014

Os P2 mandam. Os P2 matam

Dario de Negreiros é jornalista e membro do “Margens Clínicas”, grupo de psicanalistas que presta atendimento psicológico a vítimas de violência de Estado. Ele publicou o artigo “Memória, verdade, justiça e reparação para os crimes do Brasil pós-ditatorial” no site Ponte, em 26/06.

Além de outras informações importantes, o texto esclarece o significado da expressão “P2”:

Ouvimos dizer, comumente, que o governador do Estado é o comandante-em-chefe da PM. Isso é verdade, mas não é toda a verdade. As chamadas segundas-seções – na sigla, a PM2, conhecida popularmente como P2 –, constituem o serviço de inteligência da PM, responsável não só pela coleta de informações, mas também pelas decisões sobre estruturas organizacionais, efetivos, ensino e instrução, dentre outras atribuições. Estas segundas-seções, pasmem, não respondem ao governador do Estado: elas fazem parte do sistema de informações do Exército e respondem diretamente ao comando do Exército.

O fato, diz Negreiros, é que nossas “PMs respondem a dois senhores: ao Governador do Estado e, ao mesmo tempo, ao Comandante do Exército”. Qual deles seria o mais poderoso?

Basta observar alguns números: de 2003 a 2012, a PM do Rio matou mais de mil pessoas por ano. A PM de São Paulo ultrapassou duas mil mortes de 2005 a 2009. Nestes mesmos cinco anos, todas as polícias dos Estados Unidos juntas mataram 1.915 pessoas. Pouco menos do que mata a polícia fluminense em apenas dois anos.

Os P2 mandam. Os P2 matam. Os governantes estaduais e o governo federal aceitam, quando não reforçam, toda essa brutalidade. Talvez, porque suas vítimas sejam quase exclusivamente os pobres e pretos. Por enquanto...

Leia também: Aos que pisam nossas flores

Nenhum comentário:

Postar um comentário