quarta-feira, 16 de julho de 2014

E não é que os black blocs tinham razão?

“Óculos futuristas da PM detectam até 400 rostos por segundo”, dizia o título de uma matéria de Lecticia Maggi, publicada no portal iG em 2011. Na época, a reportagem dizia haver 99,99% de chance de sucesso na identificação da “pessoa procurada”.

Além dos milhares de rostos por minuto, os óculos podem guardar até 14 milhões de imagens. “A tecnologia deverá ser utilizada por policiais em grandes eventos, como shows e jogos de futebol”, dizia a matéria. Mas não foi bem isso que aconteceu.

As recentes prisões de manifestantes em São Paulo e Rio mostram o resultado daquele “avanço tecnológico”. É um escandaloso retrocesso democrático. A polícia formou um grande banco de dados com fotos de ativistas. Muitas delas tiradas nas manifestações e das redes virtuais.

A reportagem do iG cita palavras do major da PM Leandro Pavani Agostini. Na época, ele dizia que a nova tecnologia mudaria “nossa forma de comportamento”. Realmente mudou. Agora, a PM não bate, prende e tortura apenas pobres e pretos. O tratamento violento também passou a ter como alvo militantes políticos e populares.

Eis aí porque os black blocs sempre tiveram razão ao usarem máscaras. E é bom adotarmos a prática também na internete. Afinal, fazemos apenas o que nossos inimigos fazem. Os policiais continuam a esconder ilegalmente sua identificação quando baixam a porrada nas manifestações.

Aqueles que compactuaram com tudo isso deveriam ser os primeiros a esconder seus rostos e camuflar suas identidades. Mas estão em campanha eleitoral na cara mais dura e mal lavada. Ainda não inventaram óculos que detectam antigos carrascos e novos traidores.

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