quinta-feira, 21 de maio de 2015

Homofobia e fotossíntese no inferno

De volta ao livro “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”, de Yuval Noah Harari. Para aqueles que gostam de classificar alguns comportamentos humanos como “biologicamente anormais”, o autor propõe o seguinte raciocínio: 

Como podemos diferenciar aquilo que é biologicamente determinado daquilo que as pessoas apenas tentam justificar por meio de mitos biológicos? Um bom princípio básico é “a biologia permite, a cultura proíbe”. A biologia está disposta a tolerar um leque muito amplo de possibilidades. É a cultura que obriga as pessoas a concretizar algumas possibilidades e proíbe outras. A biologia permite que as mulheres tenham filhos – algumas culturas obrigam as mulheres a concretizar essa possibilidade. A biologia permite que homens pratiquem sexo uns com os outros – algumas culturas os proíbem de concretizar essa possibilidade. 

E ele ainda reforça com exemplos bem didáticos: 

Nenhuma cultura jamais se deu ao trabalho de proibir que os homens realizassem fotossíntese, que as mulheres corressem mais rápido do que a velocidade da luz, ou que elétrons com carga negativa atraíssem uns aos outros.
 
Na verdade, arremata Harari, os conceitos de “natural” e “não natural” não são tirados da biologia, mas da teologia cristã. E esta atribui a nossos órgãos finalidades bem específicas. Algo que se choca frontalmente com tudo o que sabemos sobre a evolução da vida.

Ninguém é obrigado a acreditar nas ciências biológicas. Mas, da mesma maneira, ninguém merece que lhe berrem nos ouvidos sua pretensa “anormalidade”, ou simplesmente resolvam combatê-la com violência física.

Para quem a evolução das espécies não vale, deveria valer a evolução cultural. Se nem isso for possível, pode ir fazer fotossíntese no inferno.

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