domingo, 10 de maio de 2015

No auge de nossa evolução, a fofoca

“Sapiens – Uma Breve História da Humanidade” é o mais novo best-seller de divulgação científica. Seu autor é o israelense Yuval Noah Harari. O livro é muito bem escrito, mas a leitura está só no início. Por isso, os trechos abaixo são apenas um aperitivo.

Em um deles, Harari discute a importância da linguagem na predominância de nossa espécie sobre as outras. Segundo ele, uma das teorias nesse sentido destaca não apenas a capacidade humana de “partilhar informações sobre o mundo”. Mais importante seriam as informações que precisavam ser comunicadas sobre os próprios humanos, e não apenas sobre seus predadores e presas.

Desse modo, continua o autor:


... não é suficiente que homens e mulheres conheçam o paradeiro de leões e bisões. É muito mais importante para eles saber quem em seu bando odeia quem, quem está dormindo com quem, quem é honesto e quem é trapaceiro.

A título de comparação, o livro lembra que os macacos também “mostram um ávido interesse” por “informações sociais”, mas eles teriam dificuldade para “fofocar de fato”. Já “os sapiens modernos”, adquiriram, 70 milênios atrás, as habilidades necessárias para fofocar “por horas a fio”.

A explicação soa simplista. Mas a realidade com que nos deparamos atualmente parece confirmá-la.

É inegável que nossa espécie atravessou centenas de séculos superando obstáculos, erguendo e destruindo monumentos, firmando-se como senhora absoluta do planeta. Aparentemente, no entanto, toda essa trajetória gloriosa vai terminando de forma patética.

O auge de nossa evolução seria representado por conquistas como facebook, twitter, whatsapp e reality-shows. Formas extremamente sofisticadas e ágeis de fazer mexericos e intrigas.

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