domingo, 31 de maio de 2015

Do pau-brasil à conquista da Lua

Dois casos envolvendo a sabedoria indígena. O primeiro está em artigo de Jorge Caldeira publicado na Folha, em 31/05.

No início do século 16, o francês Jean de Léry andava pela Guanabara quando encontrou um ancião tupinambá que lhe perguntou para que os brancos precisavam de tanto pau-brasil. O europeu explicou que aquela madeira alimentava um comércio que tornava alguns brancos muito ricos.

Diante disso, o velho indígena respondeu:


... agora vejo que vós outros sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que, depois da nossa morte, a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados.

O segundo relato é do livro “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”, de Yuval Noah Harari.

Em 1969, astronautas americanos ensaiavam uma das missões à Lua em um deserto do oeste estadunidense. No local, havia alguns indígenas. Quando um deles soube para onde os homens da NASA pretendiam ir, pediu-lhes que levassem um recado para quem quer que encontrassem em solo lunar. Disse algumas palavras em sua língua, obrigou os astronautas a decorá-las, mas se recusou a traduzi-las.

De volta a sua base, os astronautas conseguiram alguém para traduzir a mensagem indígena. Em meio a risos, o intérprete revelou:

             
Não acredite em uma única palavra do que essas pessoas estão lhe
              dizendo. Eles vieram roubar suas terras.

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