quarta-feira, 6 de maio de 2015

O PT e o moralismo dos sinais de trânsito

Célio Turino publicou na Carta Capital “Elementos para uma nova política econômica”. O artigo discute alternativas ao ajuste neoliberal que o governo Dilma considera ser a única saída.

Mas um trecho diz muito sobre a condição moral a que chegaram os petistas e seu governo:


... cabe levar em conta o fato de que esta política de Aperto Fiscal, que já dura 20 anos, foi implementada após ter recebido referendo prévio; seja em 1994, com o Plano Real e a eleição de Fernando Henrique Cardoso, seja em 2002, com a “Carta aos Brasileiros”, apresentada antes da primeira eleição de Lula e mesmo em 2010, quando houve um prolongamento deste acordo com a sociedade. Ocorre que na campanha de 2014 a candidata Dilma sinalizou outra política econômica, sobretudo no segundo turno, quando buscava apoio popular e, depois de reeleita, aplicou o oposto, em um giro de 180 graus.
 
Por dedução, o “estelionato eleitoral” cometido pela presidenta só encontra algum paralelo com o confisco da poupança determinado por Collor de Mello, 25 anos atrás. Uma comparação que desmoraliza qualquer time e sua torcida organizada.

Não à toa, as gangues da direita berram palavras-de-ordem com pretensões éticas que não passam de moralismo rasteiro. Confirmam o que disse Charles Dickens, ao definir o moralista “como um sinal de trânsito que indica para onde se pode ir, mas ele mesmo não vai”.

Moral da história: quando as medidas propostas pelo governo finalmente fizerem efeito, não haverá sinal de trânsito que oriente o PT. Resta a esperança de que outros setores de esquerda saibam encontrar ou reencontrar caminhos próprios e independentes.

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