sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A caminho da democracia empresarial-militarizada

Está em debate no Senado uma “legislação antiterrorista”. Na verdade, o alvo da proposta é o direito de manifestação. É mais uma etapa na criminalização dos movimentos sociais, intensificada desde Junho de 2013. A proposta é assinada pelo ministro petista Eduardo Cardozo e seu colega tucano, Joaquim Levy.

Mas qual seria o interesse da área econômica do governo nessa aberração jurídica? Acontece que as tais agências de risco internacionais esperam a aprovação da nova legislação como parte da "avaliação institucional" do País. Se ela não for aprovada, o Brasil pode ter problemas em sua nota de crédito.

Vem aí uma grande crise social devido à depressão econômica causada pelos ajustes neoliberais em curso. Vêm aí as Olimpíadas que estão removendo comunidades, atropelando direitos, entregando o patrimônio público. Os protestos contra tudo isso vão se deparar com um aparato de repressão ainda mais violento. E é isso que grande capital quer ver garantido.

Estas iniciativas fazem parte da militarização generalizada da vida nas grandes cidades brasileiras. Um processo que prende, tortura e mata pretos e pobres, de um lado. De outro lado, reprime cada vez mais lideranças populares, grevistas e manifestantes. Tudo para que empresários, empreiteiros, banqueiros possam tocar seus negócios, legais e ilegais.

Há quem defenda, com razão, que o golpe de 64 implantou uma ditadura empresarial-militar. Afinal, por trás dos militares, estavam grandes capitalistas.

Com muitos sacrifícios, derrotamos a ditadura e conquistamos várias liberdades democráticas. Mas o poder econômico continua firme e vem reduzindo a democracia ao processo eleitoral por ele controlado. Como resultado, caminhamos rapidamente para nos tornar uma democracia empresarial-militarizada.

Leia também: A ditadura de 1964 era militar e empresarial

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