terça-feira, 6 de outubro de 2015

A ortodoxia econômica asfixia a sociedade

Dilma no Brasil, Tsipras na Grécia. A ideia de traição política vem logo à mente de muitos socialistas. Mas qual seria o elemento estrutural a provocar esse tipo de fenômeno político? Como explicá-lo sem nos limitar ao campo da ética?

Talvez, uma entrevista do ganhador do Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, publicada no El País, em 01/10, ofereça algumas pistas.

No depoimento “Os Estados Unidos criaram a classe média e agora a estão destruindo”, o professor da Universidade de Columbia, em Nova York, denuncia principalmente a desigualdade nas sociedades mais ricas.

Afirma que não há recuperação da economia americana, a não ser para 1% de sua sociedade. Afinal, diz ele, “os afro-americanos não se recuperaram, os salários norte-americanos não se recuperaram... “

Stiglitz também cita a Espanha, afirmando que é um absurdo dizer que o país deixou a crise porque o desemprego passou de 25% para 23%. “O Banco Central Europeu só está preocupado com a inflação, diz ele, ao passo que o problema são os 50% de desemprego juvenil”.

E o que está na raiz da crise europeia? Um pedaço de papel chamado euro, afirma o entrevistado. E qual é o resultado da circulação desse pedaço de papel? “Recessão, um desastre econômico e divisão”, conclui.

Na Grécia, esse modelo fracassado foi rejeitado por seu povo. Mas a vitoriosa e vergonhosa reviravolta do Syriza mostrou que a crença no “pedaço de papel” continua forte. É a lógica da circulação do capital estrangulando outras possibilidades que não sejam as ditadas pela ortodoxia do mercado.

Enquanto nos limitarmos à política dos gabinetes, a economia continuará sufocando a sociedade.

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