quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Diante da crise social, mais repressão

Resumo feito pelo colunista Vinicius Torres Freire sobre dados do IBGE relativos a setembro, publicado na Folha em 23/10:

- Em um ano, o número de desempregados cresceu 56%. Antes, o pior número fora de 22%, em 2003. São mais 670 mil pessoas que não conseguem emprego.

- Ante setembro de 2014, o pessoal empregado caiu 1,8%, jamais registrado na série de dados nova do IBGE.

- A taxa de desemprego está em 7,6%. Na média de 2015, deve ficar perto de 7%. Para o ano que vem, as previsões ficam entre 9% e 10%. O desemprego médio do ano passado ficou perto de 5%”.

- O total dos rendimentos caiu mais de 6%. O rendimento familiar per capita, 4,8%. O nível médio dos rendimentos ainda é o melhor em muito tempo, mas já regrediu para o que era em 2012.

Ou seja, uma grande e grave crise social se aproxima, trazendo com ela a mais do que justa revolta popular. Diante disso, os “poderes da República” só têm uma resposta clara: mais repressão.

É o caso do projeto de “legislação antiterrorista” aprovada ontem no Senado. A proposta, que tem como verdadeiro objetivo a criminalização dos movimentos sociais, saiu dos gabinetes do governo. Está sendo piorada pelo Legislativo. E institucionaliza aquilo que o Judiciário já vem fazendo, ao manter 23 ativistas processados por participarem de manifestações durante as jornadas iniciadas em junho de 2013.

Recentemente, um general do Exército afirmou que uma "crise social" poderia levar à necessidade da intervenção das Forças Armadas. Calma, comandante, os civis já estão pavimentando o caminho que você quer seguir.

Leia também: Protestar não é crime. Governar pode ser

Um comentário:

  1. Gostei do "calma, comandante". Afinal, do jeito que as coisas andam é melhor a gente pedir calma.

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