segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O túmulo da luta socialista


O momento, em suma, é o da maior derrota das forças progressistas no Brasil após o golpe de 1964. E uma parcela considerável da responsabilidade recai sobre um partido que não soube ou não quis aproveitar as oportunidades de que dispôs para consolidar algum tipo de avanço político e social.

A frase acima é de Luis Felipe Miguel em artigo publicado pelo blog da Boitempo, em 25/09. Obviamente, o professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília refere-se ao PT e seu governo.

Em 29/09, o portal Outras Palavras publicou entrevista com Guilherme Boulos, coordenador dos Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. Uma frase merece destaque:

É preciso recuperar algo que tivemos com força na década de 1980, com um ascenso da mobilização social no Brasil, que o neoliberalismo matou e que o PT sepultou.

Enquanto isso, a reportagem “Alckmin estabelece relação com o MST”, publicada no Estadão, em 27/09, anuncia uma “lua-de-mel” vivida entre os sem-terra e o governador paulista.

O principal motivo seriam “avanços” muito maiores nas negociações em nível estadual do que acontece no âmbito federal. Uma proximidade que, segundo o dirigente do MST, Gilmar Mauro, contaria com a aprovação do ex-presidente Lula.

Ainda segundo Mauro, “nossos princípios não estão na mesa de negociação. Além disso, há muitos PSDBs. Há setores do partido contrários ao MST, mas o Alckmin nos abriu uma porta.”

A porta citada pelo dirigente do MST é a mesma que dá acesso à “sepultura” mencionada por Boulos. Para a luta socialista, trata-se da morte lenta, mas certa, causada pela aposta em uma institucionalidade completamente controlada pelo grande capital.

Leia também:
As raízes classistas da crise moral do lulismo


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