segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Sonegação pode, né Coração Valente?

Em 2013, o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda lançou o Sonegômetro, placar online que mede a sonegação fiscal no Brasil. Em 26/10, os números chegavam a R$ 467 bilhões, desde janeiro de 2015.

Já o Impostômetro, foi inaugurado em 2005, pela Associação Comercial de São Paulo. Neste caso, mede-se quanto de impostos teriam sido arrecadados. Cerca de R$ 1,6 trilhão era o número em 26/10, desde janeiro de 2015.

A grande mídia prefere destacar o Impostômetro e ignorar o Sonegômetro. Talvez, porque seus proprietários, controladores e anunciantes estejam entre os responsáveis por grande parte dos números do primeiro.

É o que mostra reportagem de Cesar Vanucci, publicada em 20/10 na edição 873 do Observatório da Imprensa. Segundo a matéria “Governo ignora receita que poderia aliviar déficit orçamentário”, a dívida ativa da União é estimada, hoje, em R$ 1,460 trilhão.

A indústria, por exemplo, deve 236,5. O comércio, 163,5. O sistema financeiro, pobrezinho, meros 89,3. Os coitados dos ruralistas, 13,6. A própria mídia, já tão favorecida com isenções fiscais, 10,8. E por aí vai. Tudo em bilhões de reais.

R$ 1,460 trilhão equivale, segundo a matéria, mais ou menos à previsão orçamentária para o setor público em 2016. E Vanucci conclui:

...a recuperação de apenas 2% da bufunfa correspondente aos débitos asseguraria as condições essenciais para a equipe econômica cobrir o déficit fiscal anunciado. Com a vantagem de afastar as ameaças contidas, no ajuste projetado, aos respeitáveis direitos sociais e trabalhistas.

Dinheiro para o setor público sair do aperto, tem de onde tirar. Mas e a coragem pra ir buscar, né Coração Valente?

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