quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A elite e seus masturbadores oficiais

Jessé Souza não teme polêmicas. Em seus livros “Os Batalhadores Brasileiros" e "A Ralé Brasileira ", por exemplo, ele desmascara a ideologia da meritocracia, justificativa favorita das elites brasileiras para nossas enormes diferenças sociais.

Seu mais recente livro não foge a essa regra. "A Tolice da Inteligência Brasileira" desafia monstros sagrados da sociologia nacional, como Sérgio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro. Eles estariam entre os responsáveis pela ideia de que o atraso nacional se deve à colonização portuguesa. Corrupção, “jeitinhos”, confusão entre o público e o privado seriam produto do desprezo lusitano pelos valores republicanos.

Essa visão alimentaria o culto a um republicanismo anglo-saxão que simplesmente não existe. Se os governos de Inglaterra e Estados Unidos realmente defendessem os interesses de seus povos, não estariam a serviço de poderosos complexos industriais, militares e financeiros.

Por outro lado, é inegável que a elite brasileira se comporta como a antiga monarquia ibérica. A jornalista Nina Lemos deu um depoimento à revista TMP sobre a repercussão do filme “Que horas ela volta” entre seus amigos europeus. Espantados, eles perguntavam: "É verdade que no Brasil tem gente que não levanta para pegar um copo de água?"

Talvez, a teoria da herança portuguesa, nesse caso, faça sentido. É o que mostra o livro “Mario Prata entrevista uns brasileiros”. Nele ficamos sabendo que, em 1808, Dom João VI trouxe de Portugal seu “masturbador oficial”. Parece que nem esta tarefa o rei desempenhava sozinho.

Desnecessário dizer que poucos aguentam tanta humilhação por muito tempo sem reagir. Com exceção, claro, dos que se mantêm no posto de masturbadores oficiais por vocação.

2 comentários:

  1. Sergio, fui curioso ver do que se tratava pela chamada no mail. E, confesso, fiquei frustrado, pois não explica a história do "masturbador oficial". Que é um serviçal eu entendi. Por certo não deve ser literal, mas figuradamente era tratado assim? E quem era esse "masturbador oficial"? Que função desempenhava?

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  2. Marião, o masturbador oficial fazia exatamente o que a função descreve, acredite. Já os masturbadores contemporâneos, que eu saiba, são metafóricos. Que eu saiba...
    Braço!

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