segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Para o grande capital, muito açúcar e afeto

Em 08/01, Carta Capital publicou entrevista com a historiadora portuguesa Raquel Varela, que está lançando o livro “Para Onde Vai Portugal”.

Uma das principais denúncias da obra é o desastre social causado pelas dívidas públicas na Europa. Segundo ela:

Vivemos um modelo no qual os trabalhadores pagam ao Estado, que por sua vez entrega o dinheiro ao setor privado por meio, entre outros, das Parcerias Público-Privadas.

De fato, apesar das enormes diferenças entre Grécia, Espanha e Portugal, os orçamentos públicos destes países estão amarrados a dívidas totalmente desproporcionais em relação aos benefícios que possam ter gerado.

Esta situação limita drasticamente a adoção de políticas públicas que amenizem uma desigualdade social que só aumenta. Segundo Raquel:

Em 1945, a diferença entre um rico e um pobre, ou um trabalhador manual qualificado na Europa, era de 1 para 12. Em 1980, subiu de 1 para 82. E hoje é de 1 para 530.

Tais números, diz ela, transformam a União Europeia em “uma corporação de acumulação de capitais”, incompatível com a manutenção do Estado de Bem-Estar Social.

Assim, diz a historiadora, fica claro o fracasso de uma socialdemocracia que já não tem mais nada a oferecer e se comporta “como uma viúva vítima de violência doméstica no funeral do marido: ela chora, nem sabe por quê”.

Já no Brasil, o governo Dilma acaba de vetar a realização da Auditoria da Dívida Pública, prevista pela Constituição Federal, para a felicidade de rentistas e especuladores.

Ou seja, a socialdemocracia petista não apenas alegra-se por ver o marido violento gozando de perfeita saúde, como o trata com muito açúcar e afeto.

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Um comentário:

  1. Gostei, principalmente em relação a balela que representam estas Parcerias Público-Privadas (devia se chamar PPB: um entra com o pé e outro com a bunda), o grande talismã da socialdemocracia.

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