quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Olimpíadas da exclusão: menos ônibus para os pobres

Mantelli
Em 2012, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada concluiu que, desde 2006, os gastos com transporte público subiram mais de 30% para famílias com renda até meio salário mínimo por pessoa. Mas entre as famílias com renda acima de oito salários mínimos, houve uma queda superior a 15%.

Estes números ajudam a entender o que detonou as manifestações de junho de 2013 e por que a luta contra o aumento de passagens e por tarifa zero são tão radicais. É uma espécie de luta de classes pelo direito à cidade. Mas não se trata apenas do preço do transporte. O acesso a ele também está em disputa.

No Rio de Janeiro, por exemplo, desde outubro, a prefeitura cortou 11 linhas de ônibus entre a Zona Oeste e o Centro da cidade. Oito linhas entre a Zona Norte e do Centro da cidade à Zona Sul foram eliminadas. Outras oito linhas foram encurtadas. A redução prevista da frota é de 35% até março de 2016.

O que a prefeitura chama de racionalização parece ter o objetivo de construir uma cidade com dignidade para poucos. Na verdade, as medidas procuram dificultar e encarecer o acesso da população pobre às áreas consideradas nobres, como as praias da Zona Sul, ou que vêm se tornando refúgios de luxo da cidade, caso da Barra da Tijuca.

O maior pretexto para a implementação de medidas como essas é a realização dos Jogos Olímpicos. Não à toa, chamados de Jogos da Exclusão pelos movimentos sociais.


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