quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A China, as coisas e suas sombras

Em 05/02, no editorial “Créditos ‘podres’ chineses preocupam o mundo”, o Globo aborda o elevado “nível de inadimplência de pessoas físicas e corporações” em todo o mundo. Na Europa, por exemplo, o volume total de empréstimos duvidosos supera US$ 1 trilhão.

O problema, diz o texto, “vem tirando o sono de investidores, governos e analistas”. Mas a maior preocupação é com a China, que teria um volume de “empréstimos duvidosos” acima dos US$ 5 trilhões. O montante equivale à metade do PIB. Por isso, diz o editorial, “o mercado de ações chinês vem caindo com força nos últimos meses”.

O que o editorial chama de “empréstimos duvidosos” ficou conhecido após o estouro da crise de 2008 como “subprime”. E no caso da China, há o agravante de que parte de seu setor bancário se encontra na “sombra”. Ou seja, fora do alcance da regulamentação governamental. Uma situação com potencial para arruinar a economia mundial numa dimensão inimaginável.

Em junho de 2013, a pílula “A sombra dos créditos podres chineses” já alertava para esse perigo. De lá para cá, a coisa só piorou. A previsão é de que o volume total de empréstimos no mercado chinês chegará a US$ 30 trilhões no fim do ano.

Mas o Globo considera a solução “relativamente simples”. Basta uma “calibragem entre crescimento econômico e saúde fiscal”, afirma o editorial. Era isso que diziam os neoliberais diante dos alertas que antecederam o desastre de 2008.

Veio a crise, ela continua aí, mas os advogados do capitalismo continuam a tomar as sombras pelas coisas que as projetam.

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