quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O mosquito e as epidemias que dão lucro

Novas confusões envolvendo o zika. É que circularam nas redes e grande imprensa informações relacionando o larvicida piriproxifeno ao surto de microcefalia, tomando como base uma nota da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

A entidade, porém, divulgou nota negando que tenha ligado o uso de “pesticidas, larvicidas ou outro produto químico” ao número de casos de microcefalia no Brasil.

Apesar disso, a Abrasco apoia a suspensão do uso do larvicida, pois condena “o uso de produtos químicos numa escala que desconsidera as vulnerabilidades biológicas e socioambientais de pessoas e comunidades”. Algo que só interessaria aos produtores e comerciantes “desses venenos”, afirma a organização.

Mas como confusão pouca é bobagem, também estão sendo levantadas suspeitas em relação à criação de “Aedes Aegypti” transgênicos. O inseto foi criado pela empresa britânica Oxitec e teria como função cruzar com mosquitos normais gerando descendentes estéreis, interrompendo seu ciclo reprodutivo.

Em 2015, um relatório da organização GeneWatch colocou sérias dúvidas sobre a capacidade do novo mosquito de erradicar o “Aedes Aegypti”. Além disso, sua utilização poderia favorecer o avanço de formas mais agressivas de dengue, como a hemorrágica. Por fim, a diminuição da população do tipo Aegypti do Aedes pode favorecer a expansão tipo Albopictus, que é mais difícil de erradicar.

Por outro lado, não falta à Oxitec competência para ganhar dinheiro. A superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde da Bahia, por exemplo, afirmou que a “aplicação-teste” do inseto transgênico em apenas dois bairros do município de Jacobina custou ao governo baiano R$ 1,2 milhão.

Enfim, continuamos a ser ameaçados pela mesma praga: o lucro.

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