quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O voto das mulheres e sua jornada de trabalho

Em 24/02, comemoraram-se os 84 anos da conquista do voto feminino no Brasil.

Mas oito décadas depois, a participação feminina na política continua limitada. Elas não chegam a ser 10% dos deputados federais, por exemplo. E é em lugares como este que são debatidas propostas como a que recentemente foi feita no sentido de equiparar a idade para a aposentadoria entre mulheres e homens.

O problema é que há muito tempo se sabe que as mulheres trabalham bem mais que os homens. E um recente estudo publicado pelo IBGE voltou a confirmar isso, apontando uma jornada de 5 horas a mais para elas.

Segundo o levantamento, são 51,3 horas por semana de trabalho para os homens, incluindo ocupação principal e tarefas da casa. Já as mulheres, cumprem as mesmas tarefas durante 56,3 horas semanais.

O fato é que uma coisa tem tudo a ver com a outra. Na sociedade em que vivemos não é o voto que determina quem manda na vida política do país. São outros fatores muito mais poderosos. E, entre eles, está a divisão social do trabalho.

Faz muita política quem tem tempo. São os representantes dos interesses de empresários, banqueiros, latifundiários. Faz pouca ou nenhuma quem trabalha duro 9h ou 10h por dia. Ou muito mais, como as mulheres.

Por outro lado, há um tipo de política que pode ser radicalmente decisiva em certos momentos. É a da mobilização e a resistência dos explorados e oprimidos. É a organização em associações, sindicatos, partidos. Não à toa, as mulheres são maioria em muitas das lutas populares.

Ajudaria muito se não as atrapalhássemos tanto.

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