quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Vadiagem, mesmo, é com a burguesia

A edição no 10 da revista “Mouro” do Núcleo de Estudos do Capital traz artigos muito interessantes. Entre eles, o de Lincoln Secco sobre a Revolução de 1932, que traz a seguinte pérola:

O cidadão coronel Manuel Rabello, Interventor Federal no Estado de São Paulo, fez expedir o seguinte aviso:

São Paulo, 26 de novembro de 1931.

(...)

Considerando que se não deve desconhecer o alcance social e moral da mendicidade, quando ela é dignamente exercida;

Considerando que qualquer cidadão pode estender a mão à piedade, implorando a generosidade dos irmãos;

Considerando que quem pede, em público, geralmente demonstra superioridade de sentimento, por ter de comprimir o orgulho e a vaidade;

Considerando que a esmola beneficia tanto o coração de quem a pede como o de quem dá;

Considerando que a recusa ao trabalho não é um vício peculiar às classes pobres;

Considerando que a contemplação da sociedade demonstra que o maior número de vadios é formado pela burguesia;

Considerando que os mendigos, vivendo da bondade alheia, são moral e socialmente úteis, enquanto são nocivos os ricos ociosos, que vivem em pleno desregramento moral sem nada produzirem;

(...)

Determino que ninguém, sob o simples pretexto de exercer a mendicidade, sofra qualquer constrangimento em sua liberdade; que, quando, por motivo insofismável de ordem, algum mendigo dever ser afastado do ponto onde se ache, a autoridade competente o faça com todo o cavalheirismo, ainda mais em se tratando de uma senhora, e, finalmente, que só se procure dar asilo aos mendigos que livremente o solicitarem...

Considerando nossos atuais gestores públicos, dá uma vergonha alheia danada!

Um comentário:

  1. Por falar nessa edição, tu leu minha tradução do Boris Souvarine?

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