quarta-feira, 13 de abril de 2016

A amnésia política dos tribunais ilegítimos

No texto “Junho como enigma”, publicado no Blog Junho, Paulo Gajanigo discute a participação dos jovens na atual crise política. Segundo ele, “o protagonismo nos movimentos pró e contra o impeachment não é da juventude”.

É verdade. Principalmente, em relação aos jovens pobres que iniciaram as Jornadas de Junho lutando contra o aumento do preço das passagens e pela tarifa zero. Mas por que está ausente das ruas justamente uma geração militante capaz de radicalizar a democracia?

Certamente, porque nenhum dos lados os representa. Ainda que condene o golpismo do impeachment, esta geração de lutadores jamais sairia às ruas ao lado de quem a expulsou delas na base da porrada. Além disso, desde que se conhecem por gente, estes jovens acostumaram-se a ver o PT como representante máximo do poder.

Ao mesmo tempo, muitos dos atuais militantes novos mal sabem como foi terrível a ditadura empresarial-militar de 1964. Consequência do processo de “esquecimento” imposto por acordos políticos vergonhosos. Em compensação, ainda sofrem com a perseguição policial que cai sobre eles desde 2013.

Grande responsável por esse cenário é o próprio PT. José Genoino, por exemplo, participou da Guerrilha do Araguaia. Foi torturado e ficou preso por 5 anos nos anos 1970. Em 2011, como assessor especial do ministro da Defesa, opôs-se a qualquer tentativa de levar seus carrascos aos tribunais.

Outro caso é o da própria Dilma. Ficou famosa a foto em que os militares que a julgavam escondiam seus rostos. Hoje, graças à amnésia que os petistas ajudam a manter, a direita já não precisa se esconder para condenar a esquerda em tribunais igualmente ilegítimos.

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2 comentários:

  1. Muito bom, principalmente quando toca na falta de representatividade das forças em disputa para a juventude.

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