quinta-feira, 14 de abril de 2016

O amor e seu oposto, o Vaticano

Em meio a uma crise tão dura, que tal falar de amor?

Melhor, não. O documento recentemente lançado pelo Papa Francisco sobre o tema também tem causado muita confusão.

Segundo muita gente “Amoris laetitia” (“A alegria do amor”) estaria abrindo a Igreja aos divorciados, pregando tolerância cristã aos homossexuais etc. Não é bem assim.

O “New Ways Ministry”, grupo de defesa voltado à comunidade católica LGBT, por exemplo, afirma que ninguém esperava “uma bênção para o casamento entre pessoas do mesmo sexo”, mas uma “mensagem afirmativa a eles”. No lugar disso, “os mesmos comentários mal informados”.

Já Marco Politi, em reportagem publicada no jornal “Il Fatto Quotidiano”, em 12/04, esclarece que o documento papal é baseado no relatório final de uma reunião geral dos bispos católicos realizada em 2015. Mas resultou muito mais moderado que as posições aprovadas na conferência.

No caso do casamento gay, havia um “reconhecimento também do caráter positivo da vida de casal homossexual”. Mas na redação de Francisco, a condição homoerótica foi tratada de forma puramente negativa na seção “Iluminar crises, angústias e dificuldades”.

Além disso, todos os trechos da “Amoris laetitia” sobre homossexualidade já faziam parte de documentos do papa arquiconservador Bento 16.

Quanto aos divorciados, o relatório dos bispos admitia que eles “poderiam ter acesso à comunhão, satisfeitas certas condições”. Pelo documento papal, cada caso será analisado pelo sacerdote de plantão. Procedimento que já é prática comum.

As mansas palavras de Francisco não mudarão uma instituição ultraconservadora como o Vaticano. No lugar do respeito a toda forma de amor, permanece a vocação para ceder apenas a paixões alimentadas pela intolerância.

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