domingo, 24 de abril de 2016

Entre a autocrítica e o escorpião

Lênin dizia que os maiores inimigos dos revolucionários são seus próprios erros. Afinal, quando a classe dominante nos impõe derrotas só está fazendo o que dela se espera.

Reclamar dos ataques feitos por nossos inimigos de classe é como responsabilizar o escorpião por picar quem tenta acariciá-lo.

Como não há seres humanos que não erram, não pode haver revolucionários infalíveis. Daí, a constante necessidade de aprender com os próprios equívocos.

Lênin era rigoroso e implacável na defesa de suas posições políticas. Mas não hesitava em reconhecer os erros que ele mesmo cometia.

A este reconhecimento os revolucionários chamam de autocrítica. Uma prática necessária, desde que não se transforme na “confissão” que antecede a “penitência” no altar do Comitê Central.

A autocrítica deveria ser um exercício tão constante quanto são frequentes nossos erros políticos. Mas vivemos um período em que ela é particularmente necessária.

Um dos maiores partidos de esquerda do mundo acumula erros enormes e terríveis. Um dos mais graves, o de confiar em seus inimigos. Outro, o de abandonar seus maiores aliados. 

Mas seria injusto exigir ao PT que faça autocrítica. Lembremos que a afirmação leninista se referia aos revolucionários.

Já a esquerda não petista, se continuar ignorando seus próprios enganos, jamais ultrapassará a nível do mero discurso em suas pretensões radicais.

A começar pela aposta prioritária e generalizada nas disputas para ocupar postos em governos, parlamentos e cúpulas sindicais.

Não foi apenas o PT que perdeu as multidões para a direita. As manifestações de junho de 2013 também fizeram grandes estragos entre nós.

Desde então, somente alguns poucos vêm tentando se afastar dos escorpiões.

Leia também: A pior das ressacas

7 comentários:

  1. Muito bom o texto. Gostaria muito de entender por que acha que as manifestações de junho de 2013 fizeram grande estragos entre nós (imagino os revolucionários).

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    1. Por que ficamos (os revolucionários da esquerda não petista, incapazes de nos desatolar de nossas pautas eleitorais e sindicais) à margem das manifestações. E os que tentaram intervir nelas, cometeram graves erros, como tentar tomar a sua frente de cima para baixo. Sem falar nos que não conseguindo, resolveram simplesmente tachar todo mundo como sendo de direita e até defender a criminalização de alguns setores dos manifestantes.

      Valeu,

      Bração!

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    2. Perfeito, Sergio. E o que foi feito dessas manifestações, não? Sumiram e abriram para a direita. Não que as considere responsáveis, mas a direita covarde precisou desse empurrão para ir às ruas. A gente sabia da importância dela, mas temia o avanço da direita que já começava a aparecer. Lembro que trocamos mails onde você acusava nestas manifestações esse avanço. Falava que a esquerda tinha que expulsar, como no passado, a direita golpista. Esse movimento foi importantíssimo mas impotente de responder às suas possibilidades históricas. Isso também estava escrito. Abraço

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  2. Completando: O resultado dessa desastrosa intervenção foi continuarmos pequenos e sendo confundidos com a esquerda institucional em geral. E setores da base que efetivamente participaram das atividades de junho ganhando o respeito dos manifestantes o fizeram como militantes isolados e não credenciados pela militância coletiva de seus respectivos partidos.

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  3. Bem interessante o raciocínio sobre as manifestações de junho de 2013. De fato, como presenciei na mais comentada delas, a do dia 17, havia sim blocos pronunciados da direita agredindo ou expulsando quem portasse bandeiras referentes à esquerda. Pude ver isso bem nitidamente. E fui um exemplo isolado, q nem de vermelho estava.

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  4. Completando: não sofri agressão alguma, apenas testemunhei.

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