segunda-feira, 11 de abril de 2016

Enterro da Nova República: presença obrigatória

Alguns analistas estão enxergando na atual crise o fim da chamada “Nova República”. Seria o esgotamento do pacto pelo alto que sucedeu à ditadura de 1964, livrando da Justiça os carrascos militares e mantendo na vida política grande parte de seus apoiadores.

Essencial nesse acordo sujo foi a manutenção de esquemas de corrupção sob os quais surgiram alguns grandes monopólios empresariais. Os mesmos que viriam a substituir os generais no controle das eleições, usando seu poder econômico.

Essa república nada republicana surgiu de um Colégio Eleitoral formado por 680 parlamentares. Foram eles que traíram definitivamente as esperanças dos milhões que lotaram as ruas pelas Diretas-Já.

O eleito foi Tancredo Neves, mas quem assumiu foi José Sarney. O latifundiário que comandava o estado do Maranhão graças aos militares passava a governar o País.

O único partido que se recusou a participar dessa farsa foi o PT, boicotando a votação. Posição que manteve firmemente, mesmo custando a perda de três de seus oito deputados federais.

Tamanho rigor só podia surgir de um partido construído nas fábricas, bairros, universidades, ocupações rurais e urbanas. Distante das disputas por gabinetes controlados pelos maiores criminosos do País.

Infelizmente, seguidas vitórias eleitorais fizeram predominar entre os petistas a ideia de que era possível mudar o sistema por dentro. Hoje, mais que nunca, fica claro que foi o sistema que virou o partido do avesso.

Assim, se o PT não presenciou o parto da Nova República, certamente estará em seu suposto enterro. Dentro do caixão.

As antigas parteiras com quem se reconciliou, no papel de seus coveiros.

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