terça-feira, 6 de setembro de 2016

Por uma nova simbologia patriótica

Chegamos a mais um Dia da Pátria. É nesses momentos que a nação deveria fazer um balanço de sua existência. Por exemplo, deveríamos estar comemorando o 194º aniversário de nossa independência.

Mas para isso precisaríamos desconsiderar que antes do 7 de Setembro a data era comemorada em 12 de Outubro, quando coroamos Pedro I e trocamos um imperador pelo outro. Ou, o filho pelo pai.

Também é um momento importante para lembrar a origem de nossos símbolos nacionais. As cores da bandeira, por exemplo. O verde é da Família Real dos Bragança. O amarelo da monarquia dos Habsburgos.

Portanto, precisamos passar por uma renovação dos símbolos nacionais que expresse a verdadeira essência de nossa história . Afinal, tivemos três séculos de escravidão e cinco de racismo. Passamos quase metade de nossa vida republicana sob governos ditatoriais. A outra metade foi sempre dominada por uma democracia racionada.

Nos dois períodos, porém, torturas e prisões ilegais jamais cessaram de ser práticas cotidianas do Estado. O pau-de-arara, por exemplo, começou a ser utilizado no período “democrático” dos anos 1950, voltado principalmente para trabalhadores nordestinos considerados rebeldes.

Ou seja, é urgente considerarmos seriamente a transformação em símbolos nacionais de instrumentos muito presentes em nossa vida pública através dos séculos. Estamos falando do pelourinho e do pau-de-arara. Talvez, da forca também.

Cassetetes e balas de borracha ainda não adquiriram o estofo histórico necessário.

Por fim, seria bom renovar o panteão heroico nacional. Que tal no lugar de Zumbi, Brilhante Ustra ao lado do sanguinário Duque de Caxias?

Finalmente, teríamos uma simbologia e heróis dignos dos valores de nossos mais convictos patriotas.

Leia também: O Cristo laico de um Estado catequizado

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