quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Camuflando as fraudes da previdência privada

Andam dizendo que a Operação Greenfield pode deixar a Lava Jato no chinelo. Trata-se de investigação da Polícia Federal sobre fraudes envolvendo recursos de fundos de pensão. O rombo poderia chegar a R$ 50 bilhões.

Mas o noticiário vem fazendo uma confusão muito conveniente. Começa pela omissão do caráter privado dos fundos de pensão. Exatamente o tipo de entidade às quais os defensores da reforma da previdência querem entregar os recursos do sistema público de aposentadorias e pensões.

Esta informação fica ainda mais camuflada pelo fato de que as fraudes aconteceram principalmente em entidades ligadas a trabalhadores de empresas públicas, como Petrobrás e Caixa Econômica. Além disso, as irregularidades envolvem vários pilantras petistas. Principalmente, ex-sindicalistas.

Ou seja, a confusão fica perfeita para reafirmar a ideia de que corrupção é sempre estatal e, agora, especialidade da esquerda. Aí só resta espaço para uma conclusão: privatização da previdência social e criminalização da esquerda partidária, sindical e popular.

O objetivo maior é pavimentar o caminho para um sistema de previdência como o chileno. Nele os trabalhadores contribuem com 10% de seus salários, mas em vez do retorno de 70% prometido só recebem cerca de 35%. Além disso, 90% das aposentadorias pagam apenas metade do salário mínimo.

A única coisa que não combina com essa farsa são as fortes suspeitas sobre o partido do presidente golpista, incluindo seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Sem falar na participação de uma gigante do mercado como a JBS-Friboi na história. São estas brechas que devemos aproveitar para construir uma resistência popular cada vez mais necessária.

2 comentários:

  1. Tá certo, Serginho, não dá para fazer silêncio por serem fundos de pensões de trabalhadores, administrados por os ex-sindicalistas e petistas, conhecidos por práticas nem um pouco éticas. Tem que denunciar. Abraço.

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    1. Sim! Sem falar que estes foram os primeiros a propor e apoiar a Reforma de 2003 que tirou direitos dos servidores públicos.
      Bração

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