terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Atualizando números da concentração de riqueza

O mais recente estudo da ONG britânica Oxfam mostrou que somente oito bilionários acumulam riqueza equivalente à da metade mais pobre da população mundial. No total, essa super-elite tem US$ 426 bilhões. Já à metade mais pobre da humanidade, restam US$ 409 bilhões.

Segundo matéria de Lucianne Carneiro, publicada no Globo em 15/01, o número de bilionários nessa condição era de 62, em 2015. O número baixou para oito depois de incluídos novos dados de países como China e Índia. É que foram adicionados muito mais pobres à conta.

Enquanto isso, a matéria “Tudo por um milionário”, publicada por Ana Paula Ribeiro na mesma edição do Globo, revela uma desigualdade mais próxima de nós. Trata-se do segmento nacional do chamado “private banking”. São “107 mil brasileiros - pouco mais que a população de Japeri, no Rio”.

A reportagem afirma que esses clientes dispõem “de cerca de R$ 816 bilhões em aplicações financeiras. Na média, cada um tem R$ 7,4 milhões aplicados”. Em forte contraste, a grande maioria dos outros correntistas têm aplicações no valor médio de R$ 13,7 mil.

Esta enorme disponibilidade financeira permitiu, por exemplo, que um cliente “private” do Bradesco utilizasse o cartão de crédito para comprar um apartamento de R$ 1,5 milhão. Ou que outro conterrâneo igualmente “vip” seja proprietário do imóvel que abriga a loja da Prada na Avenida Champs-Élysées, em Paris.

Esse pessoal obtém empréstimos pagando juros muito inferiores aos praticados no mercado, diz a reportagem. É o que se costuma chamar de "operação estruturada". Já ao sistema que permite tamanha concentração de riqueza, poderíamos chamar de “roubo estruturado”.

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