terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Revolução não é bolão (conclusão)

Voltamos ao artigo ”How Will CapitalismEnd?” em que Wolfgang Streeck considera o fim do capitalismo inevitável. Um de seus trechos diz:

Em contraste com a década de 1930, não há hoje nenhuma fórmula político-econômica no horizonte, à esquerda ou à direita, que possa fornecer às sociedades capitalistas um novo regime coerente de regulação. (...) as partes se encaixam cada vez menos no todo.

Para o autor, o sistema capitalista sofre hoje de “pelo menos cinco desordens cada vez mais agudas, para as quais não há cura: o crescimento decrescente, a oligarquia, a inanição da esfera pública, a corrupção e a anarquia internacional”.

Desse modo, conclui ele, é hora de “permitirmos que o capitalismo desmorone por si mesmo”.

De fato, as enormes contradições apontadas por Streeck já provocam consequências sociais gravíssimas. Mas nos limitarmos a esperar que desemboquem em um “colapso final” equivale a escolher a catástrofe generalizada como única saída.

No máximo, poderíamos organizar apostas sobre a data em que ocorrerá o inesquecível evento.

Felizmente, a dialética da luta de classes nos mostra exatamente o contrário disso. Apesar da desorientação generalizada entre as forças de esquerda, há muita resistência anticapitalista por parte dos explorados e oprimidos mundo afora.

Precisamos participar dessas lutas com a humildade lúcida de quem sabe que não há um desfecho seguro. Mas também com a coragem de afirmar que sem a ação das maiorias pela destruição do capitalismo, acabaremos quase todos na mesma sepultura.

Continuamos, portanto, diante do dilema histórico popularizado por Rosa Luxemburgo já no início do século 20: “Socialismo ou barbárie”. Não tem bolão porque a aposta é uma só.

Leia também: Revolução não é bolão (continuação)

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