quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Do Homo Sapiens ao Homer Simpson

“2017 pode registrar aumento significativo do trabalho automatizado”, diz matéria publicada na BBC News, em 01/01.

A reportagem diz, ainda, que pesquisa recente da Universidade de Oxford, no Reino Unido, “sugere que cerca de metade dos postos de trabalho existentes hoje nos Estados Unidos serão automatizados até 2033”.

E não se trata apenas de profissões braçais. Marketing, Medicina, Direito e Jornalismo também estão na lista, afirma o texto. Ou seja, mais desemprego.

Por trás de todo esse processo está o algoritmo. Este onipresente mecanismo que transforma rotinas de trabalho em comandos de computador e possibilita a criação da chamada “Inteligência Artificial”.

Yuval Harari, em seu livro “Homo Deus”, diz mais ou menos o seguinte sobre o assunto:

Os antigos caçadores-coletores dominavam grande variedade de aptidões para poderem sobreviver (...). No entanto, nos últimos milhares de anos nós nos especializamos. Um motorista de táxi ou um cardiologista se especializam num nicho muito mais estreito do que o de um caçador-coletor, o que facilita sua substituição por inteligência artificial.

Ainda segundo ele, as pesquisas científicas sobre a mente e a experiência humanas “em geral são realizadas com pessoas de sociedades ocidentais, instruídas, ricas e democráticas”. Uma amostra pouco representativa da humanidade. Portanto, o “estudo da mente humana pressupôs, até o presente, que o Homo sapiens é Homer Simpson”, diz Harari.

A explicação peca, principalmente, por menosprezar o salto decisivo em direção à simplificação mental dado pelo capitalismo. A Inteligência Artificial tornou-se tanto mais ameaçadora quanto mais imperativa tornou-se uma lógica que nos reduziu a apertadores de parafusos. E, muito recentemente, também dos botões “curtir”.

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