Doses maiores

10 de outubro de 2019

Equador: viva a luta dos que querem comer terra

Estamos de volta ao livro “Ideias para adiar o fim do mundo”, de Ailton Krenak, líder indígena e ambientalista.

A proposta da obra é “sempre poder contar mais uma história. “Se pudermos fazer isso, provoca ele, estaremos adiando o fim do mundo”.

Em um desses relatos Krenak conta que no Equador, na Colômbia, nos Andes, enfim, há “lugares onde as montanhas formam casais. Tem mãe, pai, filho, tem uma família de montanhas que troca afeto, faz trocas.”

Em oposição a isso, tem uma “uma humanidade, vamos dizer, bacana”, ironiza o autor. Uma gente que olha com desprezo para esses mitos. Ignora que há entre nós:

...uma camada mais bruta, rústica, orgânica, uma sub-humanidade, uma gente que fica agarrada na terra. Parece que eles querem comer terra, mamar na terra, dormir deitados sobre a terra, envoltos na terra.

Segundo Krenak, é o desprezo a essa gente rústica que vem distanciando toda a humanidade do seu lugar, da terra como casa, provedora e mãe. Enquanto isso, “um monte de corporações espertalhonas vai tomando conta”.

Para que não pensem que ele está inventando mais um mito, o do monstro corporativo, nosso contador de histórias avisa: “ele tem nome, endereço e até conta bancária. E que conta!”

E são elas, essas corporações, que “têm criado cada vez mais mecanismos para separar esses filhotes da terra de sua mãe”.

O livro é anterior ao que está acontecendo hoje no Equador, mas com certeza seu autor diria que, por lá, os filhotes não estão aceitando passivamente as violências cometidas contra sua mãe.

Viva a luta indígena no Equador e no mundo!

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