segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Capitalismo é promessa de dívida

O país mais poderoso do mundo é o maior devedor, também. Grande parte do dinheiro que circula no planeta é lastreada em títulos da dívida americana. Os bancos vivem de dinheiro gerado por dívidas privadas. O mercado de capitais nada mais é que o acúmulo de dívidas entre empresas e acionistas. Ações são débitos contraídos com base em valores muitas vezes superiores àqueles das mercadorias efetivamente produzidas.

Aparentemente, funciona assim: no capitalismo, a enorme maioria das pessoas cria valor através da venda sua força de trabalho para uma pequena minoria. Mas, o valor criado por essa maioria é muito maior do que aquele que ela mesma pode consumir. A minoria rica, por outro lado, não consegue gastar seus lucros astronômicos em consumo próprio. Reinveste quase tudo em mais produção.

Não pode funcionar. A tendência é produzir sempre mais mercadorias do que o mercado pode absorver. Daí, as freqüentes crises. Maiores ou menores, nestes ou naqueles ramos. Para evitá-las, a solução é vender a crédito. Ajuda, mas não soluciona. O volume de dívidas cresce mais rápido que a capacidade de sua quitação. Esse mecanismo está na raiz da crise imobiliária americana de 2008.

Quando a crise chega, os governos emprestam dinheiro aos empresários a juros generosos. Geram mais endividamento. Mais papéis para especulação. Os espertos capitalistas chineses sabem disso. Já possuem a maior parte da dívida americana. Estão comprando títulos de dívidas pelo mundo afora.

Nesse mercado, estamos entre os favoritos. Nossa enorme dívida pública paga os mais altos juros do mundo, concentrando muita renda e patrimônio.

Parece coisa de maluco, mas é só capitalismo. Insustentável.

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