sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Eleições gregas atrapalham, diz ministro alemão

Enquanto a crise social aumenta na Grécia, crescem as pressões da União Europeia pelo cancelamento das eleições de abril próximo. É o que relata reportagem de Andrei Netto, publicada em O Estado de S. Paulo, em 17/02. Segundo a matéria:
... o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schaueble, insinuou que as eleições gregas caem na hora errada, quando o país deveria estar concentrado na renegociação da dívida e na implementação dos planos de austeridade. "Devemos nos perguntar: quem vai garantir que após as eleições a Grécia respeitará o que nós decidimos atualmente com o governo grego?", questionou.
Nem passa pela cabeça do governante alemão que acordo nenhum deveria ignorar a vontade popular. Além disso, Schaueble não precisa se preocupar tanto. Nunca ficaram tão claras as limitações da democracia comandada pelo mercado. E não apenas na Grécia.

“Mais de 400 mil espanhóis vão às ruas contra reforma trabalhista”, diz matéria de O Estado de S. Paulo, de 20/02. Os protestos são contra reformas que atacam diretamente os empregos e direitos dos trabalhadores. Acontecem dois meses após a posse de Mariano Rajoy. O novo primeiro-ministro conservador derrotou nas urnas os socialistas, desgastados pela crise econômica que castiga o país.

Na Espanha, como na Grécia, os socialistas governaram sem romper com o essencial do neoliberalismo. Por isso mesmo, seus países estão em crise. Para substituí-los, foram eleitos governos ainda mais submissos aos interesses do mercado. Ou seja, a democracia vem funcionando somente para os ricos e poderosos.

A única alternativa é a radicalização do processo democrático pela ação popular. Eleições nunca são demais. Mas é preciso arrancar a política das garras dos políticos oficiais. Tirá-la dos palácios e gabinetes e trazê-la para as ruas, bairros, escolas e locais de trabalho.

Leia também: Os gregos, cada vez mais putos

3 comentários:

  1. Em primeiro lugar, parabéns pelo blog, sigo ele quase diariamente. Fico particularmente impressionado com sua capacidade crítica de interpretar fatos no calor dos acontecimentos sem quase cometer equívocos. Mas, talvez nessa postagem tenha lhe faltado uma informação: a esquerda anti-neoliberal aparece com 40% nas sondagens! A Syriza (marxista revolucionária) e os stalinistas com mais de 10% cada! Realmente não tem motivos para o governo alemão se preocupar?

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  2. Companheiro (ou companheira?), suas informações são muito animadoras, mas só se essas forças políticas utilizarem essa popularidade para se afastar da política oficial. Ou seja, continua valendo o que o texto diz: é preciso arrancar a política das mãos dos políticos profissionais. Do contrário, as chances de cooptação são enormes.
    Valeu pelo comentário.
    Abração!

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    1. Pleno acordo. Deixo aqui o link da pesquisa mais atual que encontrei: http://5dias.net/2012/02/16/intencoes-de-voto-na-grecia-confirmam-tendencia-de-queda-do-pasok-1-e-nova-democracia-3-e-subida-da-esquerda-democratica-3-kke-15-e-syriza-1/

      Ps. Eu me identifico com a Antarsya, que aparece com apenas 1%. Nem por isso deixo de considerar esses resultados animadores.

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